Decisão
*
Autor: Luiz
Alberto Quadros Gonsalves, o Poeta Sem Talento
*
Fechou a porta
da casa
como quem fecha
a porta do mundo,
machucou
sonhos, perdeu asas
atrapalhou-se
na vida
de tão longas
que são as estradas.
*
Por um segundo
compadeceu-se
da própria dor,
já não era a
mesma pessoa,
ressentida,
já não tinha
mais aquela busca segura,
faltava-lhe até
o ardor que dá o alento
a quem procura
um amor feito
em ternura.
*
O desespero
correu nos seus olhos,
é tão fria uma
lágrima rolando no rosto,
vira queimadura
que arde n’alma
e corre em
forma de desgosto.
*
Pensou na vida
com pânico,
que assusta de
súbito e traz temor
*
Não tinha mais
nenhuma ilusão.
*
Estava tudo
perdido.
*
A sogra
incomodava gritando na varanda,
não tinha
homem, não tinha marido...
*
Aquilo que
tinha não era nada, não...
*
Os filhos,
criados, estavam no mundo.
*
Sorriu no
próprio desalento
de um recomeço
tão amargo.
*
Não há quem não
tenha sentimento.
*
O homem
forungava no pátio dos fundos,
tentava da vida
se esconder,
a sogra ligou
bem alto a TV,
procurando a
todos endoidecer.
*
Não era crível
tanta loucura,
irracional
aquela disputa.
*
No quarto uma
alma a estremecer.
*
Ninguém
percebeu quando o portão do mundo se abriu:
“com licença,
eu vou a luta,
mereço mudar o
meu viver”.
*
Fechou o portão
e...saiu.
22/02/2014

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