domingo, 16 de março de 2014

Cotidiano

Cotidiano
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves, o Poeta Sem Talento
Penso que existo,
fizeram isto pra mim.
*
Na real só assisto. 
Vida sem vida,
viver assim:
um jogo na TV,
eu parei pra ver.
*
Mas a que refiro?
*
A corrupção,
açoite que assola,
corrompe e esfola
esta gente perdida.
*
No gramado corre a bola.
*
E eu? Só assisto.
*
De dor me deprimo,
peno na fila do sus,
na esquina um guri de capuz.
*
Na fila do banco
a mulher em planto.
*
Não me redimo,
não posso penar.
*
Não me conformo,
meu salário uma esmola.
*
O guri de capuz
afina na corrida,
pega o coletivo,
vai batalhar sua vida.
*
Mais um trabalhador,
um guri ativo,
futuro cativo.
*
Eu vivo de susto,
isto não é justo.
*
Entro num bar pra beber;
fico tão triste
não tem jogo na tv.
*
Penso que existo,
mas eu, só assisto.
*

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Um homem privilegiado

Um homem privilegiado * Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves, o Poeta Sem Talento * Eu moro em um local privilegiado, os meus viz...