segunda-feira, 17 de março de 2014

A luz que busca novos amores

A luz que busca novos amores

*

Luiz Alberto Quadros Gonsalves, o Poeta Sem Talento

*

Os seus olhos são promessas de um amor sem fim.

*

Não há como medir o ontem, o hoje ou o amanhã,

resta ficar aqui, deitado, lendo no divã,

sobre donzelas e cavalheiros andantes,

poemas inigualáveis, de épocas, escritos em folhetins,

contando aventuras de jovens amantes,

histórias que não existem mais.

*

O agora não é como era antes,

o meu corpo esfacelado pelo tempo,

sente a dor de muitas caminhadas,

jornadas em longas estradas, errante.

*

Impaciente e angustiado, teimo

em não chegar ao fim desta longa estrada,

o meu coração ainda bate no peito tão forte,

indolente e desafiador,

deseja enfrentar novas jornadas.

*

Pobre membro carmim iludido d’amor,

mas não está longe o dia que ele conhecerá

a face nefasta e atrevida daquela que flutua ao norte,

tirando a alegria e, quiçá, a própria vida,

porém, mesmo na sorte,

nem assim outro amor abraçará,

pois os meus olhos enxergam longe,

bem longe de tudo, na vida em um outro norte.

*

Nem é amor, é contentamento e sossego,

desejo de recolher a alma em si,

enquanto houver um pingo na vida.

*

Ainda assim, deprimido em mil dores,

determinado, eu rastreio a procura das estradas passados,

em busca, não dos antigos, de novos amores,

pois, enquanto houver fulgor no cérebro,

haverá força no corpo, pulso no coração,

luz, ainda que tênue, nos olhos

e o vigor de um novo desempenho, com energia para a alma

usar em um supremo e último esforço

na busca de uma nova paixão.

*

Enquanto existir luz e o seu brilho esplendor

haverá anelo, ânimo e tempo para buscar um novo amor.

*

04/03/2014



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