A luz que busca novos
amores
*
Luiz Alberto Quadros
Gonsalves, o Poeta Sem Talento
*
Os seus olhos são
promessas de um amor sem fim.
*
Não há como medir o ontem,
o hoje ou o amanhã,
resta ficar aqui, deitado,
lendo no divã,
sobre donzelas e
cavalheiros andantes,
poemas inigualáveis, de
épocas, escritos em folhetins,
contando aventuras de
jovens amantes,
histórias que não existem
mais.
*
O agora não é como era
antes,
o meu corpo esfacelado
pelo tempo,
sente a dor de muitas
caminhadas,
jornadas em longas estradas,
errante.
*
Impaciente e angustiado,
teimo
em não chegar ao fim desta
longa estrada,
o meu coração ainda bate
no peito tão forte,
indolente e desafiador,
deseja enfrentar novas
jornadas.
*
Pobre membro carmim
iludido d’amor,
mas não está longe o dia
que ele conhecerá
a face nefasta e atrevida
daquela que flutua ao norte,
tirando a alegria e,
quiçá, a própria vida,
porém, mesmo na sorte,
nem assim outro amor
abraçará,
pois os meus olhos
enxergam longe,
bem longe de tudo, na vida
em um outro norte.
*
Nem é amor, é
contentamento e sossego,
desejo de recolher a alma
em si,
enquanto houver um pingo
na vida.
*
Ainda assim, deprimido em
mil dores,
determinado, eu rastreio a
procura das estradas passados,
em busca, não dos antigos,
de novos amores,
pois, enquanto houver
fulgor no cérebro,
haverá força no corpo,
pulso no coração,
luz, ainda que tênue, nos
olhos
e o vigor de um novo
desempenho, com energia para a alma
usar em um supremo e
último esforço
na busca de uma nova
paixão.
*
Enquanto existir luz e o seu
brilho esplendor
haverá anelo, ânimo e
tempo para buscar um novo amor.
*
04/03/2014

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