Cotidiano
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Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves, o Poeta Sem Talento
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Penso que vivo,
fizeram isto para mim.
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Na real eu só assisto.
*
Vida sem vida,
viver assim,
um jogo na TV,
eu parei pra ver.
*
Mas a que eu me refiro?
*
A corrupção,
açoite que assola,
corrompe e esfola,
esta gente perdida!
*
Meu Deus, gente querida,
a coisa tá corruída,
paressem ave de rapina.
*
No gramado corre a bola.
*
E eu?
Só assisto.
*
De dor eu me deprimo,
fecho os olhos e perco o tino,
peno na fila do SUS,
na esquina um guri de capuz.
*
Na fila do banco
uma mulher moída em pranto.
*
Ouço ao longe um acalanto,
uma moça sorridente em um canto;
meu Deus, mas que encanto.
*
Eu não me redimo
e não paro de olhar.
*
Eu não me conformo,
meu salário é uma esmola,
os meus gastos não consigo estancar.
*
O guri de capuz
afina em uma corrida,
pega um coletivo
e vai batalhar por sua vida.
*
Mais trabalhador,
um guri ativo,
futuro cativo.
*
Eu vivo de susto
e isto não é justo.
*
Entro em um bar para beber,
fico tão triste,
não tem jogo na TV
*
Penso que existo,
mas só assisto.
*
(Poema publicado pela primeira vez em 16/março/2014)

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