quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Cotidiano

Cotidiano

*

Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves, o Poeta Sem Talento

*

Penso que vivo,

fizeram isto para mim.

*

Na real eu só assisto.

*

Vida sem vida,

viver assim,

um jogo na TV,

eu parei pra ver.

*

Mas a que eu me refiro?

*

A corrupção,

açoite que assola,

corrompe e esfola,

esta gente perdida!

*

Meu Deus, gente querida,

a coisa tá corruída,

paressem ave de rapina.

*

No gramado corre a bola.

*

E eu?

Só assisto.

*

De dor eu me deprimo,

fecho os olhos e perco o tino,

peno na fila do SUS,

na esquina um guri de capuz.

*

Na fila do banco

uma mulher moída em pranto.

*

Ouço ao longe um acalanto,

uma moça sorridente em um canto;

meu Deus, mas que encanto.

*

Eu não me redimo

e não paro de olhar.

*

Eu não me conformo,

meu salário é uma esmola,

os meus gastos não consigo estancar.

*

O guri de capuz

afina em uma corrida,

pega um coletivo

e vai batalhar por sua vida.

*

Mais trabalhador,

um guri ativo,

futuro cativo.

*

Eu vivo de susto

e isto não é justo.

*

Entro em um bar para beber,

fico tão triste,

não tem jogo na TV

*

Penso que existo,

mas só assisto.

*

(Poema publicado pela primeira vez em 16/março/2014)  


 

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