sexta-feira, 2 de junho de 2023

Um pouco de dor ou a meiga ventura

Um pouco de dor ou a meiga ventura

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Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves, o Poeta Sem Talento

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Às vezes divago versos em letras incertas,

Que pairam no ar e, aos poucos, se aglutinam

Formando graciosas frases abertas

Em poemas ornados que encantam.

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Parece que perto mora a felicidade,

Que nada é mais valioso que o terno amor,

Que as luzes que iluminam a cidade

Ao poeta protege do medo e da dor.

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E na sinceridade dos meus versos,

Eu dialogo com a comedida simpleza

Procuro, bem sei, no recôndito do universo

Algo escondido da minha natureza.

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Não quero requinte fausto e ornado,

A grandiosidade está no dizer com o coração,

De que valeria um verso apaixonado

Se fosse o produto de uma lesiva traição?

*

Percorrendo a estrada de poeta aberto e veraz

Não terei campo para o vil e o desengano,

Uma vez que procuro versar a concórdia e a paz,

Perto do meigo amor e longe do profano.

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Mas, poeta com o amor condensado no peito,

Não me engano, terei sempre o fluído da procura,

Pois buscar o simples e belo é dever e não é direito;

O poeta cata no incerto um pouco de dor ou a meiga ventura.

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